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Estética da insurgência: as linguagens da democracia em imagem, som e escrita
Vicente de Paula Nascimento Leite Filho
Os ataques à democracia em janeiro de 2023 em Brasília, com clara demonstração de ódio pela arte e pela cultura, nos fazem pensar na importância dessas áreas para a construção de uma sociedade mais progressista e crítica. Mais do que nunca, precisamos divulgar e refletir sobre a importância das artes, do cinema, da fotografia, da música, da poesia e da literatura nesse cenário e compreender seu papel estratégico nas relações sociais e de poder.
Reconhecemos a cidade como o palco para tais disputas, que se originam a partir do próprio espaço e projeto urbanístico, causando segregações e deslocamentos desiguais, impactando nas diferentes experiências urbanas, nos diversos níveis de direito à cidade e, consequentemente, de possibilidades de construção de sociabilidades, afetos e subjetividades. Nesse cenário, o próprio conceito de insurgência coloca-se em disputa.
Os atos terroristas acontecidos em Brasília em janeiro de 2023 parecem ser lidos pela extrema direita como uma rebelião necessária para a restauração de uma suposta ordem. Precisamos recorrer à História, às Artes, à Comunicação e à Cultura como forma de criar e estabelecer as narrativas adequadas nessa disputa que impactam a democracia, os direitos humanos e, em última instância, nossos próprios corpos.